Terça-feira, Setembro 12, 2006
Falar ou não falar, essa é uma questão chata pra caramba na minha vida. Porque se não falo, na minha neurose, acabo achando que todos estão notando que até aquele momento não falei nada e que se falasse chamaria enorme atenção. E é claro que isso é uma bola de neve, chega ao ponto de não conseguir falar nada em uma turma por um semestre inteiro, levando isso para o outro semestre onde conheço as pessoas apenas de vista e morro de medo de encontrá-las nos corredores da PUC porquê não sei se falo e se não falo me sinto um covarde, como se as pessoas estivessem dando risinhos bobos quando passam por mim. "Olhem só, aquele menino que não fala nada". E o mais engraçado é que normalmente nas CNTP eu falo PACA. Sou até bastante comunicativo comparado à imagem que fico achando que tenho. Mas é aquela coisa, tenho medo de gente e enquanto não me sinto perfeitamente a vontade não acho necessário interferir no ambiente, gosto é de ficar observando até me sentir seguro a intervir. Dá nisso, acabo achando que de tanto observar todos vão notar e olhar com medo um cara que nunca se manifestou. Se nunca disse nada, o que falar agora vai ser o discurso do século, há de ser algo perfeito.
Quarta-feira, Junho 07, 2006
O que essa merda diz que quer é a maturidade, que todos sejamos valiosos membros evoluídos da sociedade. Mas o que eles querem de verdade é o contrário. É a imaturidade, a futilidade, a limitação. Concede-se alguma surpresa ou novidade de vez em quando, mas não é da vontade deles. O que eles querem é fórmula, repetição. A própria sensação de ser diferente efetivamente é induzida e, mesmo assim, só é tolerada quando a diferença é tão pequena que pode ser desprezada. Se se optar pelo amadurecimento de verdade é imprescíndivel o isolamento, a solidão, o distanciamento.
Queme stiver lendo isso deve estar pensando: "Esse rapaz aí se acha único, mais inteligente, mais maduro que os outros, isso é uma grande prepotência". Vocês, pensadores de plantão, estão enganadíssmos, nunca estiveram tão engandados na vida, perderam o rumo, podem desistir de tudo e estourar o próprio cérebro que fariam um grand eserviço à humanide. Pois o que penso é exatamente o contrário. Eu, de tão imaturo e criança que me fizeram ver quera vida agora, sempre me esforcei demais para evoluir, crescer, ser um cara que entende, pensa em tudo.
Eis que finalmente estou evoluindo. Mas vejam só, evoluindo para baixo. O que me traz felicidade e satisfação e me faz sentir finalmente um membro da sociedade é exatamente esse caminho sem fim rumo à mediocridade, rumo ao mundo das pequenas diferenças, da tolerância ou até indiferença total ao próximo. A evolução que tanto ambicionei e que gastei tanto tempo na vida é no fundo ser só mais um que não acrescentará nada ao mundo. Tudo fora disso é burrice, infantilidade, não querer crescer, um atraso no mundo.
Queme stiver lendo isso deve estar pensando: "Esse rapaz aí se acha único, mais inteligente, mais maduro que os outros, isso é uma grande prepotência". Vocês, pensadores de plantão, estão enganadíssmos, nunca estiveram tão engandados na vida, perderam o rumo, podem desistir de tudo e estourar o próprio cérebro que fariam um grand eserviço à humanide. Pois o que penso é exatamente o contrário. Eu, de tão imaturo e criança que me fizeram ver quera vida agora, sempre me esforcei demais para evoluir, crescer, ser um cara que entende, pensa em tudo.
Eis que finalmente estou evoluindo. Mas vejam só, evoluindo para baixo. O que me traz felicidade e satisfação e me faz sentir finalmente um membro da sociedade é exatamente esse caminho sem fim rumo à mediocridade, rumo ao mundo das pequenas diferenças, da tolerância ou até indiferença total ao próximo. A evolução que tanto ambicionei e que gastei tanto tempo na vida é no fundo ser só mais um que não acrescentará nada ao mundo. Tudo fora disso é burrice, infantilidade, não querer crescer, um atraso no mundo.
Terça-feira, Maio 30, 2006
O relaxamento total e completo, em vida, é impossível. Ele impede-se a si mesmo. A não ser que o ser humano conseguisse não viver em sociedade, não se alimentar e não se angustiar com as limitações de seu corpo. Assim, sendo um Deus, na verdade O DEUS, ele poderia entrar num estado de relaxamento eterno e infinito ( o que é provavelmente o que Deus está fazendo, nós somos o inconsciente, os sonhos de Deus). Nós, pobres mortais em sociedade, até poderíamos atingi o mesmo relaxamento por um brevíssimo período, mas e aí? Relaxados não podemos ter quaisquer relações sociais e tampouco objetivos de vida, já que já foi atingida a plenitude. Então para quê relaxamento se é o mesmo que encerrar a própria vida? O que temos que buscar na verdade é uma angustiazinha suportável. Uma inquietude, às vezes leve, às vezes pesada, que nos leve a estar constantemente motivado a conquistar algo mais que nos induziria a um falso relaxamento, que na verdade tem de ser outra perturbação, outro objetivo e por aí vai.
Relaxamento e satisfação já atingi quando era bebê e já cheguei perto quando era adolescente. Mas foi, paradoxalmente, um dos piores momentos da vida, quando eu, estando estagnado e sem objetivos, me vi sendo cutucado e mais tarde queimado pela vida em sociedade, que me exigia força vital. Me espetaram tanto que finalmente entendi que deve-se objetivar a próxima angústia, se se quiser ser realista consigo mesmo. Felicidades são momentâneas e só por isso mesmo podem ser felicidades. A não ser que sejamos deus, é claro. O único meio de ser "feliz" é aceitar tudo isso.
Relaxamento e satisfação já atingi quando era bebê e já cheguei perto quando era adolescente. Mas foi, paradoxalmente, um dos piores momentos da vida, quando eu, estando estagnado e sem objetivos, me vi sendo cutucado e mais tarde queimado pela vida em sociedade, que me exigia força vital. Me espetaram tanto que finalmente entendi que deve-se objetivar a próxima angústia, se se quiser ser realista consigo mesmo. Felicidades são momentâneas e só por isso mesmo podem ser felicidades. A não ser que sejamos deus, é claro. O único meio de ser "feliz" é aceitar tudo isso.
Eu e tudo estamos tão calmos hoje que, logo, vai dar merda. Alguém com certeza está de tocaia em algum canto de parede e, não demora, me assustará e me levará ao desespero com mais alguma novidade angustiante.
Me acalmei e me livrei de todo ressentimento e tristeza rápido demais. Isso não pode estar certo, falo sério. Estou a lhes dar uma profecia. Não tarda e os fantasmas logo se apossarão do meu futuro. Os meus abutres internos nem tiveram tempo de se divertir com a carniça, coitados. Em algum canto sombrio, está lá, de machadinha na mão esperando para esquartejar meu pobre e inocente estado de espírito. A serenidade sangrará ralo adentro. Vocês verão. Não demora, não demora.
Me acalmei e me livrei de todo ressentimento e tristeza rápido demais. Isso não pode estar certo, falo sério. Estou a lhes dar uma profecia. Não tarda e os fantasmas logo se apossarão do meu futuro. Os meus abutres internos nem tiveram tempo de se divertir com a carniça, coitados. Em algum canto sombrio, está lá, de machadinha na mão esperando para esquartejar meu pobre e inocente estado de espírito. A serenidade sangrará ralo adentro. Vocês verão. Não demora, não demora.
Estou me conhecendo mais. Essa solidão libertadora e angustiante me faz ver que eu posso sim lutar contra essa timidez maldita. Finalmente entendo o processo real. É tudo uma questão de excesso de vaidade aliado ao desejo de ser autêntico, além do desligamente da realidade e introspecção, é claro. Quando me sinto confortável ou quando isso passa a nem ser mais questionado, a intervenção no mundo passa a ser uma coisa natural. Quando reprimo esse impulso, seja por vergonha ou temor de exposição, acabo me sentindo um covarde e regrido ao papel de uma criancinha que depende imensamente de outros. E então, quando não consigo na primeira tentativa ainda penso em fazer uma segunda vez, mas com ainda menos força. Quando finalmente decido que não consigo mesmo, me sinto um incapaz e, a partir daí, todo e qualquer esforço de vencer a timidez se torna um martírio torturante.
Quando consigo suplantá-la, ainda que no décimo quinto pensamento, passa a haver uma sequência positiva de relaxamento e extroversão. Mas quando, por algum motivo, reprimo novamente um impulso por covardia ou, pior, por nenhum motivo aparente além da constatação de que sou tímido e não estaria mais sendo se executasse o ato planejado, me sinto novamente um bebê fraco, sem recursos e capacidades para fazer o que quer que seja.
Quando consigo suplantá-la, ainda que no décimo quinto pensamento, passa a haver uma sequência positiva de relaxamento e extroversão. Mas quando, por algum motivo, reprimo novamente um impulso por covardia ou, pior, por nenhum motivo aparente além da constatação de que sou tímido e não estaria mais sendo se executasse o ato planejado, me sinto novamente um bebê fraco, sem recursos e capacidades para fazer o que quer que seja.
Hoje sonhei que pintavam na minha cara o símbolo do Vasco e um bigode do Hitler. E no Pedro também. Alguém ia nos contar quem tinha feito aquilo e aparentemente era bastante óbvio, mas aí acordei de verdade. Digo de verdade porque antes tinha "morrido" no sonho, caindo do céu com um carro que alguém que o estava dirigindo foi embora. O carro ia caindo, caindo, mas eu não acreditava que morreria e não sentia medo algum. Debochando da morte, quando realmente "morri" efetivamente no sonho, "acordei" dentro do próprio sonho como se tivesse acordando mesmo, ainda que com os absurdos símbolos da torcida do Vasco pintados ao lado do bigode do Hitler.
Que loucura isso. Recuperei o meu pior blog de todos e o mais esquecido de todos os tempos. Quem me dera conseguir recuperar os outros, mais importantes e mais bem escritos.
Louvem a deus, isso salvará vossas vidas. Essa é a minha mensagem divina de hoje. Nada como uma fézinha para recuperar nossas vidas.
Louvem a deus, isso salvará vossas vidas. Essa é a minha mensagem divina de hoje. Nada como uma fézinha para recuperar nossas vidas.
Sexta-feira, Outubro 15, 2004
A ILHA DO DIA ANTERIOR
Pra quê temer a morte? Eu não a temo diretamente, temo sim a dor dela. Porque depois de morrer eu não vou mais existir (ou vou, mas isso é outra discussão) e não terei mais dor e sofrimento algum, simplesmente deixarei de existir. Então qual o grande medo da morte? Porquê os seres humanos se apegam tanto em viver? Eu não tenho medo nenhum de andar de avião não porquê eu não ache que o avião possa cair e sim porque se cair eu vou deixar de existir e provavelmente será indolor e nunca saberei realmente o que aconteceu. Verei a minha existência sumir e não me resta outra opção a não ser aceitar isso (a não ser que inventem a tempo a pílula da imortalidade ou que eu faça um pacto com Hades, Lucifer, Deus ou seja lá como queiram chamar o ser provavelmente inexistente). O fato é que enquanto eu estiver vivendo quero continuar vivendo, mas se a situação for inevitável (como um avião caindo) não posso fazer muita coisa além de aceitar a precocidade do destino. Rubem Fonseca já dizia "O ser humano nasce, fode e morre" e é pra isso e só pra isso que estamos aqui, procriação. Talvez nós atinjamos um nível de existência em que a morte se torne algo superficial, mas ainda acho que devemos tentar cada vez mais encarar o futuro como algo passível de comemoração. Chegou a hora do outro, bom para ele, sorte a dele, vamos comemorar tudo que ele conseguiu ser para nós na vida dele e continuemos vivendo na ilusão que isso nunca acontecerá conosco. E é melhor assim mesmo. Sobreviveremos muito melhor se achar que somos imortais, que todo momento é eterno e todas essas baboseiras...
Pra quê temer a morte? Eu não a temo diretamente, temo sim a dor dela. Porque depois de morrer eu não vou mais existir (ou vou, mas isso é outra discussão) e não terei mais dor e sofrimento algum, simplesmente deixarei de existir. Então qual o grande medo da morte? Porquê os seres humanos se apegam tanto em viver? Eu não tenho medo nenhum de andar de avião não porquê eu não ache que o avião possa cair e sim porque se cair eu vou deixar de existir e provavelmente será indolor e nunca saberei realmente o que aconteceu. Verei a minha existência sumir e não me resta outra opção a não ser aceitar isso (a não ser que inventem a tempo a pílula da imortalidade ou que eu faça um pacto com Hades, Lucifer, Deus ou seja lá como queiram chamar o ser provavelmente inexistente). O fato é que enquanto eu estiver vivendo quero continuar vivendo, mas se a situação for inevitável (como um avião caindo) não posso fazer muita coisa além de aceitar a precocidade do destino. Rubem Fonseca já dizia "O ser humano nasce, fode e morre" e é pra isso e só pra isso que estamos aqui, procriação. Talvez nós atinjamos um nível de existência em que a morte se torne algo superficial, mas ainda acho que devemos tentar cada vez mais encarar o futuro como algo passível de comemoração. Chegou a hora do outro, bom para ele, sorte a dele, vamos comemorar tudo que ele conseguiu ser para nós na vida dele e continuemos vivendo na ilusão que isso nunca acontecerá conosco. E é melhor assim mesmo. Sobreviveremos muito melhor se achar que somos imortais, que todo momento é eterno e todas essas baboseiras...
Sábado, Setembro 11, 2004
O FIO DA NAVALHA
Lendo meu próprio blog às vezes eu me impressiono. Tento me colocar como um intruso que não conhece o dono desse blog e que está lendo-o apenas com a pretensão de lê-lo. Então eu me impressiono e me bate uma daquelas sensações de "João, você é foda!". Mas logo eu paro, revejo o raciocínio e penso "Não, não é possível, não faz sentido.". Leio os textos postados de novo e mais uma vez me impressiono. Com a auto-estima ainda lá embaixo eu me pergunto "Como eu posso ter escrito isso?" e logo depois me ponho pra baixo de novo "Nada João, você só gostou porquê você acaba se identificando com você mesmo.", o que parece ser a teoria mais provável. Mas ainda assim me volta a dúvida "Será que afinal eu escrevo bem?".
Ultimamente não tenho tido dúvida: eu não dou pra isso. Por mais que talvez fosse um sonho muito distante eu ainda tinha a esperança de que um dia a sabedoria cairia sobre mim e eu passaria horas e horas, talvez até dias, escrevendo sem parar freneticamente e um livro sensacional, um clássico, um sucesso, uma genialidade cairia espontaneamente de mim. Eu aprendi com a vida que nada acontece assim e que milagres não acontecem.
Felizmente nas últimas semanas tenho lido tanto jornal, tanto livro, tantos textos que quase consigo ver de volta o sonho no fim do túnel. Devo estar ficando maluco.
Lendo meu próprio blog às vezes eu me impressiono. Tento me colocar como um intruso que não conhece o dono desse blog e que está lendo-o apenas com a pretensão de lê-lo. Então eu me impressiono e me bate uma daquelas sensações de "João, você é foda!". Mas logo eu paro, revejo o raciocínio e penso "Não, não é possível, não faz sentido.". Leio os textos postados de novo e mais uma vez me impressiono. Com a auto-estima ainda lá embaixo eu me pergunto "Como eu posso ter escrito isso?" e logo depois me ponho pra baixo de novo "Nada João, você só gostou porquê você acaba se identificando com você mesmo.", o que parece ser a teoria mais provável. Mas ainda assim me volta a dúvida "Será que afinal eu escrevo bem?".
Ultimamente não tenho tido dúvida: eu não dou pra isso. Por mais que talvez fosse um sonho muito distante eu ainda tinha a esperança de que um dia a sabedoria cairia sobre mim e eu passaria horas e horas, talvez até dias, escrevendo sem parar freneticamente e um livro sensacional, um clássico, um sucesso, uma genialidade cairia espontaneamente de mim. Eu aprendi com a vida que nada acontece assim e que milagres não acontecem.
Felizmente nas últimas semanas tenho lido tanto jornal, tanto livro, tantos textos que quase consigo ver de volta o sonho no fim do túnel. Devo estar ficando maluco.
Segunda-feira, Agosto 30, 2004
Faculdade, sinceramente, agora, não é meu objetivo final. Minto, é sim meu objetivo final. Mas não é a minha vontade. Queria aproveitar todas as minhas tardes tentando dissipar um pouco a minha ignorância. Queria vagar pelo mundo, ou até para ser um pouco mais humilde, pela lagoa, pelo humaitá, pela gávea, sem responsabilidade alguma. Apenas com a responsabilidade aprender sobre o mundo, de obter a maior quantidade de conhecimento possível em uma folha da árvore ou numa garrafa d'água.
Quinta-feira, Agosto 19, 2004
Como diria o velho sábio "O que parece óbvio, obviamente não é"